Expressivos e cativantes. Assim são os olhos da pequena L., 2 anos. Sentada no canto da sala e rodeada dos brinquedos mais próximos, ela apenas observa os colegas quando há um movimento ou som inusitado. Ela agrupa, empilha, constrói e derruba aquilo que alcança. No tamanho de seus braços há um mundo todo seu.
Uma das primeiras orientações recebidas, presente na folha de instruções que recebi, foi sobre a comunicação entre adultos e crianças. O adulto deve ter uma atitude passiva, respondendo apenas as questões que as crianças fazem diretamente a ele, ou ajudando quando elas pedem, sugerindo ações para novas tentativas ("talvez colocando os brinquedos no chão seja mais fácil calçar os sapatos") ou interferindo em brigas com agressões físicas. Sem grandes conversas entre adultos e crianças na sala de brinquedo e na sala de movimento.
Loris Malaguzzi, referência da Reggio Emilia, busca expandir esta relação, no entanto. É importante, para ele, que as crianças, professores e pais (responsáveis) ajam ativamente para o desenvolvimento de uma comunidade. Atitudes passivas não são contempladas ou encorajadas. A criança deve ter seu espaço para criar, especular, tentar e brincar, mas estas ações também precisam ser respaldadas pelo próprio professor/cuidador.
Quando Emmi Pikler propôs deixar as crianças sossegadas ("ruhig") o significado seria, de fato, incentivar a subnutrição da comunicação? Ou seus leitores traduzem o termo ao pé da letra como "quieto" ou "silencioso" a ponto de não considerarem que as crianças, especialmente as pequenas, podem se comunicar de diferentes formas que vão além da fala? Até que ponto se pode transpor, sem limites e sem crítica histórica uma metodologia ou diretriz criada em um orfanato na Hungria, após a Segunda Guerra Mundial, para a Berlim de 2018, uma cidade extremamente comunicativa e informacional?
O que a pequena L. diria se seus olhos pudessem ser ouvidos?
Nenhum comentário:
Postar um comentário