Quem trabalha ou trabalhou em creches e escolas já se deparou com a cena de almoço no refeitório em que um adulto serve a comida diretamente na boca das crianças e checa para ver se já engoliram ou não. os pratos são abastecidos com comida à revelia do gosto da criança e isto não é um convite para que ela experimente um alimento novo. É uma ordem. Comer tudo ("limpar o prato") também costuma ficar no modo imperativo. Não há muito espaço para conversas amigáveis.
Imagine você, adulto ou adulta, ter que se submeter a pessoas que te alimentem desta forma em um ambiente hostil. Protestos como "pimentão me dá dor de cabeça" ou "azeitona ataca meu fígado" não importam. A capacidade do seu estômago não importa. Sua individualidade e seu paladar não importam. Apenas coma em silêncio, e tudo, e rápido.
A reconhecida importância da hora da alimentação não é uma frescura pedagógica moderna, mas remonta a histórias, lendas e mitos, pinturas e filmes da Civilização Ocidental. Dionísio e/ou Baco descritos como precursores de festas animadas envolvendo muitos comes e bebes; Platão tem uma transcrição de um duelo intitulado "O Banquete", que fala sobre a natureza e as coisas humanas, principalmente sobre o amor e afirma que quando nasceu Afrodite, os deuses banqueteavam-se; para os que creem, a conversa mais importante entre Jesus e seus doze apóstolos ocorreu durante a última ceia, imortalizada mais de 15 séculos depois por Leonardo da Vinci.
No entanto, parece que em algumas creches e escolas, o processo social que envolve a alimentação foi retirado do campo do prazer e da necessidade e transferido para o campo da força. A reação infantil pode até dar a impressão de que elas não gostam de comer, ou que se alimentar é mais uma lição passada na escola e que deve ser executada.
No Krippe, a hora da refeição é sempre recebida com alegria pelas crianças. A primeira delas é compartilhada, uma fruta cortada e servida para as crianças que queiram come-la no horário da manhã. O momento é anunciado oralmente, mas sinais físicos também alertam as crianças: a toalha estampada estendida e o círculo formado pelas crianças que sentam para comer fazem parte do ritual. Todos comem a quantidade desejada e tem sua vez de pegar um pedaço ou mais.
A segunda refeição é o almoço. A comida chega em um carrinho e as crianças são chamada pelo nome em trio ou quarteto. Como a ordem dos grupos é sempre a mesma, quando um termina, o outro já sabe quem é o próximo. Uma cuidadora se senta com as crianças, anuncia e oferece quais são as opções do dia. A porção servida não é exagerada e são de acordo com o paladar da criança. Se ela não gostar ou rejeitar por qualquer motivo, não é obrigada a comê-lo. Se quer mais um pouco, é servida novamente. Para acompanhar, suco ou água. As conversas não são proibidas e o silêncio não é uma regra. No final, suas mãos e bocas são limpas gentilmente.
A terceira e geralmente última refeição é o lanche da tarde, servido após a hora de dormir. Ele segue o mesmo esquema de grupos do almoço e, geralmente, oferece-se chá, suco ou água com bolachas e pães integrais, manteiga, cream cheese e geleias. Ninguém é pressionado a comer o que não quer ou a quantidade não suportada. Alguns comem mais no almoço, outros nos lanches, e isto não é um problema.
O corpo dita as necessidades, enquanto os seres humanos e o ambiente alimentam o corpo e o espírito.
Nenhum comentário:
Postar um comentário