A Alemanha é um dos países ameaçados pelo seu
envelhecimento e pela baixa taxa de fecundidade, ou seja, a expectativa de vida
aumenta enquanto nascem poucas pessoas. Não fosse pela ininterrupta e criticada
política de imigração, a situação estaria ainda mais desesperadora.
Um filho ou é luxo, pelas despesas emocionais e financeiras
que gera, ou é supérfluo, não se precisa desse aspecto da vida em sociedade
para ser feliz. O governo tenta incentivar. Em Berlim, o primeiro e o segundo
filhos recebem uma ajuda de custo (Kindergeld) de 192 Euros; para o terceiro, o
valor é de 198 Euros e do quarto em diante, 223 Euros. Sim, o valor é crescente, cumulativo e mensal. Ele dura até que se complete 18 anos, ou 21 (desempregados) ou 25 (estudantes).
Ainda assim, ter filhos é complicado
também na capital alemã. A cultura da “avó cuida” é brasileira e já foi citada
anteriormente a dificuldade de se encontrar creches para crianças pequenas,
impedindo os pais de retornarem ao mercado de trabalho e, consequentemente,
diminuindo a renda familiar justamente quando mais um membro é depende dela.
A boa notícia é
que as creches são gratuitas. Em alguns casos, pede-se uma ajuda de custo para
os pais que não ultrapassa os 90 Euros. A má notícia, principalmente para que
acha que a própria responsabilidade de cuidar e educar termina quando a criança
vai porta adentro da instituição de ensino, é que a relação criança/vaga é
utilizada como parte do processo seletivo para ingressar em um Kita ou Krippe.
O quanto o senhor/senhora está comprometido com a educação e criação do seu filho a ponto de aceitar responsabilidades que garantam o funcionamento da própria creche/escola?
Pois não é apenas deixar a criança e depois buscar,
muito menos apenas participar palidamente da reunião bimestral ou trimestral.
Por se tratar de um Kita fundado por pais e profissionais da educação, é
fundamental que as famílias assumam obrigações também, como controlar e
fiscalizar as finanças, consertar e reformar objetos e brinquedos, buscar
parcerias com estabelecimentos de bens e serviços, fazer a faxina, organizar
festas e eventos, preparar/comprar lembrancinhas para professoras e crianças em
datas especiais etc.
No entanto, não interferem nas resoluções pedagógicas,
também pouco julgam o filho ou a filha dos outros ou comparam os seus com os
demais. Há encontros periódicos entre os pais e responsáveis para estabelecerem
e verificarem as metas e um quadro fica à disposição na entrada com o nome do
pai ou da mãe e sua atribuição.
O número total de crianças pequenas e grandes é 25,
dentre elas, alguns irmãos e irmãs, o que torna o número de pais e responsáveis
relativamente pequeno e, consequentemente, próximo. Aparentemente, a maioria se
conhece e quando há desavenças, uma pessoa é designada para ouvir as partes
envolvidas e procurar uma solução sensata.
Até o momento, é o mais próximo que já encontrei de
uma parceria simbiótica e coerente entre família e instituição.
Kindergeld em Berlim
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