quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Funcionários do mês: mãe e pai (e vô, e vó...)


A Alemanha é um dos países ameaçados pelo seu envelhecimento e pela baixa taxa de fecundidade, ou seja, a expectativa de vida aumenta enquanto nascem poucas pessoas. Não fosse pela ininterrupta e criticada política de imigração, a situação estaria ainda mais desesperadora.
Um filho ou é luxo, pelas despesas emocionais e financeiras que gera, ou é supérfluo, não se precisa desse aspecto da vida em sociedade para ser feliz. O governo tenta incentivar. Em Berlim, o primeiro e o segundo filhos recebem uma ajuda de custo (Kindergeld) de 192 Euros; para o terceiro, o valor é de 198 Euros e do quarto em diante, 223 Euros. Sim, o valor é crescente, cumulativo e mensal. Ele dura até que se complete 18 anos, ou 21 (desempregados) ou 25 (estudantes).
            Ainda assim, ter filhos é complicado também na capital alemã. A cultura da “avó cuida” é brasileira e já foi citada anteriormente a dificuldade de se encontrar creches para crianças pequenas, impedindo os pais de retornarem ao mercado de trabalho e, consequentemente, diminuindo a renda familiar justamente quando mais um membro é depende dela.
 A boa notícia é que as creches são gratuitas. Em alguns casos, pede-se uma ajuda de custo para os pais que não ultrapassa os 90 Euros. A má notícia, principalmente para que acha que a própria responsabilidade de cuidar e educar termina quando a criança vai porta adentro da instituição de ensino, é que a relação criança/vaga é utilizada como parte do processo seletivo para ingressar em um Kita ou Krippe.

O quanto o senhor/senhora está comprometido com a educação e criação do seu filho a ponto de aceitar responsabilidades que garantam o funcionamento da própria creche/escola?

Pois não é apenas deixar a criança e depois buscar, muito menos apenas participar palidamente da reunião bimestral ou trimestral. Por se tratar de um Kita fundado por pais e profissionais da educação, é fundamental que as famílias assumam obrigações também, como controlar e fiscalizar as finanças, consertar e reformar objetos e brinquedos, buscar parcerias com estabelecimentos de bens e serviços, fazer a faxina, organizar festas e eventos, preparar/comprar lembrancinhas para professoras e crianças em datas especiais etc.
No entanto, não interferem nas resoluções pedagógicas, também pouco julgam o filho ou a filha dos outros ou comparam os seus com os demais. Há encontros periódicos entre os pais e responsáveis para estabelecerem e verificarem as metas e um quadro fica à disposição na entrada com o nome do pai ou da mãe e sua atribuição.
O número total de crianças pequenas e grandes é 25, dentre elas, alguns irmãos e irmãs, o que torna o número de pais e responsáveis relativamente pequeno e, consequentemente, próximo. Aparentemente, a maioria se conhece e quando há desavenças, uma pessoa é designada para ouvir as partes envolvidas e procurar uma solução sensata.
Até o momento, é o mais próximo que já encontrei de uma parceria simbiótica e coerente entre família e instituição.



Kindergeld em Berlim

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