Distinguir os gêneros, na gramática
alemã, é difícil, ainda mais para quem foi alfabetizado em uma língua que,
raras exceções, palavras terminadas em “o”, são masculinas e terminadas em “a”
são femininas.
Aqui, além das regras serem exceções,
ainda existe o gênero neutro, quando a palavra não é nem masculina e nem
feminina, representado pelo artigo definido “das”. Não importa se, em seu
significado, ela seja feminina, como Mädchen (menina). Seu gênero será neutro
mesmo assim será neutro (das Mädchen)
O que é teorizado na gramática se
revela no dia a dia. No Krippe, por exemplo, as roupas e acessórios com os
quais as crianças chegam, a escolha dos brinquedos e as brincadeiras pouco se
encaixam no convencional masculino e feminino. Tudo é bastante colorido e
diversificado. Os meninos amarram panos em seu corpo para fazem um suporte
canguru para as bonecas-bebês, os cabelos curtos, compridos, repicados, retos,
com ou sem franja servem para todos. As possibilidades são muitas, assim como
as escolhas que farão na vida.
Ninguém é repreendido por explorar,
experimentar ou vestir. Quanto mais aberta a mente ao respeito, à diversidade e
às escolhas plurais e individuais, maiores são as chances de permitir às
crianças desenvolverem sua personalidade de modo saudável, alimentando sua
autoestima e seu processo de se autoaceitar. Ao mesmo tempo, podem olhar para o
outro e reconhecer diferenças e semelhanças sem julgamentos depreciativos que
pudessem evoluir eventualmente para o preconceito ou para a discriminação.
Mas se compreender isto já é difícil
para que pensa que entende do assunto, imagine para quem ainda acredita que
meninas devem vestir rosa e meninos, azul?
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