sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Número e gênero


Distinguir os gêneros, na gramática alemã, é difícil, ainda mais para quem foi alfabetizado em uma língua que, raras exceções, palavras terminadas em “o”, são masculinas e terminadas em “a” são femininas.
Aqui, além das regras serem exceções, ainda existe o gênero neutro, quando a palavra não é nem masculina e nem feminina, representado pelo artigo definido “das”. Não importa se, em seu significado, ela seja feminina, como Mädchen (menina). Seu gênero será neutro mesmo assim será neutro (das Mädchen)
O que é teorizado na gramática se revela no dia a dia. No Krippe, por exemplo, as roupas e acessórios com os quais as crianças chegam, a escolha dos brinquedos e as brincadeiras pouco se encaixam no convencional masculino e feminino. Tudo é bastante colorido e diversificado. Os meninos amarram panos em seu corpo para fazem um suporte canguru para as bonecas-bebês, os cabelos curtos, compridos, repicados, retos, com ou sem franja servem para todos. As possibilidades são muitas, assim como as escolhas que farão na vida.
Ninguém é repreendido por explorar, experimentar ou vestir. Quanto mais aberta a mente ao respeito, à diversidade e às escolhas plurais e individuais, maiores são as chances de permitir às crianças desenvolverem sua personalidade de modo saudável, alimentando sua autoestima e seu processo de se autoaceitar. Ao mesmo tempo, podem olhar para o outro e reconhecer diferenças e semelhanças sem julgamentos depreciativos que pudessem evoluir eventualmente para o preconceito ou para a discriminação.
Mas se compreender isto já é difícil para que pensa que entende do assunto, imagine para quem ainda acredita que meninas devem vestir rosa e meninos, azul?


Nenhum comentário:

Postar um comentário